Terra Indígena Rio Pindaré recebe mutirão agroflorestal promovido pela SAF

20/05/2026

Por Alessandro Silva 

A Aldeia Januária, localizada na Terra Indígena Rio Pindaré, no município de Bom Jardim (MA), receberá, no próximo dia 22, uma ação integrada de restauração ambiental e fortalecimento territorial construída em parceria entre a Secretaria de Estado da Agricultura Familiar (SAF), por meio do Projeto Amazônico de Gestão Sustentável (PAGES), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), povos indígenas do território e o Consórcio Estreito Energia (CESTE).

A atividade marca a implantação de uma Unidade Demonstrativa Agroflorestal de 1 hectare, com o plantio de 500 mudas de espécies nativas, florestais e frutíferas amazônicas, articulando recuperação ambiental, proteção territorial, produção sustentável e fortalecimento sociocultural indígena.

Antes da ação, os Guardiões e brigadistas indígenas realizaram a preparação da área para o plantio, reforçando o papel das comunidades na proteção e defesa do território. O plantio será conduzido coletivamente pelas Guerreiras da Floresta, junto às equipes do PAGES e da UEMA, em uma construção integrada baseada no diálogo de saberes e no protagonismo indígena.

As mudas foram disponibilizadas pelo Consórcio Estreito Energia – Usina Hidrelétrica Estreito (CESTE), por meio de parceria com a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). A iniciativa integra um conjunto de ações estruturadas pelo PAGES para fortalecimento da restauração ambiental no Mosaico Gurupi.

Como etapa preparatória, o Projeto PAGES formalizou um protocolo de intenções com a UEMA para alinhamento institucional das ações e construção conjunta de estratégias de atuação nos territórios. Posteriormente, foi elaborado o Plano de Ação de Restauração Ambiental do Mosaico Gurupi, voltado à recuperação ecológica, implantação de viveiros pedagógicos comunitários e fortalecimento da produção de mudas nativas em comunidades indígenas e rurais.

Para a coordenadora geral do PAGES, Mariana Nóbrega, a ação representa uma estratégia integrada entre restauração ambiental, proteção territorial e fortalecimento comunitário.

“Essa ação demonstra que restaurar o território também significa fortalecer os povos que historicamente protegem a floresta. O sistema agroflorestal implantado foi pensado para unir recuperação ambiental, segurança alimentar, geração de renda e valorização dos saberes indígenas, construindo soluções sustentáveis junto às comunidades”, disse Mariana Nóbrega.

O arranjo produtivo implantado na Aldeia Januária foi estruturado a partir dos princípios da agroecologia e da restauração produtiva, utilizando um Sistema Agroflorestal (SAF) multiestratificado com espécies nativas amazônicas. O modelo combina espécies de diferentes funções ecológicas, alimentares e culturais em uma mesma área, reproduzindo dinâmicas naturais da floresta tropical.

Entre as espécies utilizadas estão açaí, bacaba, buriti, jenipapo, urucum, araçá, ingá, ipês, mutamba e aroeira. O sistema foi planejado para promover conservação do solo, recuperação ambiental, proteção hídrica, aumento da biodiversidade e diversificação produtiva.

Além da dimensão ecológica, o modelo incorpora espécies de forte valor simbólico e cultural para os povos indígenas, como urucum e jenipapo, utilizados tradicionalmente em pinturas corporais e práticas culturais ancestrais, fortalecendo a identidade territorial e a transmissão intergeracional de conhecimentos.

Fala liderança indígena

Para Arapoty lopes da Silva Guarany, brigadista da TI Rio Pindaré, a ação é importante pois irá ajudar na recuperação das áreas. “A ação é importante porque irá restaurar áreas degradadas e permite a restauração do solo. Fortalecendo o combate ao desmatamento e a degradação ambiental, além disso permite o aumento da biodiversidade, promovendo a riqueza biológica e a proteção da floresta e dos animais”, declara.

A ação também prevê a prospecção do cercamento da área para garantir proteção e manejo adequado do sistema agroflorestal, contribuindo para a conservação das mudas e para a consolidação da unidade demonstrativa como espaço de aprendizagem, produção e educação ambiental.

“Essa ação da UEMA com o Pages é muito importante, porque é a concretização de todas as conversas, onde realmente agora a gente vai chegar nas comunidades com as mudas, plantando, dando assistência e melhorando as condições do ambiente. Tendo uma perspectiva que elas cresçam e deem frutos, tragam a fauna e permitam o retorno da floresta, pois a floresta recomposta é a melhor qualidade de vida para os povos que dependem dela”, afirma o Vice-Reitor da UEMA, Paulo Catunda.

A proposta integra estratégias contemporâneas de restauração biocultural, reconhecendo que conservação ambiental e fortalecimento dos modos de vida tradicionais devem caminhar juntos nos territórios amazônicos.

Serviço

O quê: Implantação de Unidade Demonstrativa Agroflorestal e ação de restauração ambiental integrada na Terra Indígena Rio Pindaré

Onde: Aldeia Januária - Terra Indígena Rio Pindaré, município de Bom Jardim (MA)  

Quando: 22 de maio de 2026

Realização: SAF, Projeto PAGES, UEMA, povos indígenas da TI Rio Pindaré e Consórcio Estreito Energia (CESTE)