Aldeia indígena em Bom Jardim recebe Feira de Troca de Sementes Crioulas

Feira troca de sementes

Feira troca de sementes

A aldeia Januária, da Terra Indígena Rio Pindaré, da etnia Guajajara, localizada no município de Bom Jardim, recebeu, pela primeira vez, a Feira de Trocas de Sementes Crioulas. O objetivo da feira é incentivar o cultivo, informar e manter vivos os saberes tradicionais locais que passam de geração a geração e, assim, garantir a preservação das espécies de sementes crioulas que são mais resistentes a pragas, solos de baixa fertilidade e a climas secos.

O evento foi realizado na quarta-feira (11) pelo Sistema de Agricultura Familiar, o Sistema SAF, que é formado pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (SAF), Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural do Maranhão (Agerp/MA) e Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma/MA). Presentes, gestores públicos, lideranças e os povos indígenas. Os espaço foi um momento de confraternização, com a presença de crianças e jovens das aldeias.

 

Feira de Troca de sementes

Feira de Troca de sementes

A presidente da Associação Indígena Comunitária Mainumy, Arlete Guajajara, e demais participantes do evento chamam a atenção para a importância de resgatar e difundir as sementes crioulas e as boas práticas de conservação das sementes. “Essa feira de troca de sementes representa uma grande esperança para as oito aldeias que existem aqui dentro do nosso território, da terra indígena Rio Pindaré.

“Nós temos a esperança de adquirir sementes e plantas que nós já não temos mais na nossa terra. Vamos trocar sementes que servem para nosso alimento, como fava, feijão e arroz, assim como sementes de árvores nativas que são usadas para a confecção de artesanatos. Dessa forma, pretendemos reflorestar nossas terras que se encontra devastada, com apenas 3% de mata nativa”, enfatizou Arlete Guajajara.

O Sistema SAF já realizou sete feiras de troca de sementes crioulas com agricultores familiares, e com os povos indígenas, especificamente, esta é a terceira. O evento já foi realizado em Barra do Corda, Amarante e Bom Jardim.

“Essas feiras são riquíssimas porque não envolve apenas a troca de sementes, mas a troca de conhecimentos e saberes dos povos”, pontuou a secretária adjunta de Extrativismo, Povos e Comunidades Tradicionais da SAF, Luciene Dias Figueiredo.

O coordenador executivo do Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), Fábio Vaz destacou a importância deste tipo de atividade para comunidades indígenas e para a preservação da fauna e da flora dos territórios.

feira de troca de sementes

feira de troca de sementes

“Este evento realizado dentro de um território indígena é muito importante porque valoriza os costumes e o modo de vida desses povos. Esse amor eles têm pela natureza é contagiante e nós apoiamos”, declarou o coordenador. O ISPN é uma organização da sociedade civil que foi parceira na organização da feira.

Participaram do evento as superintendentes da SAF, Ladyanne Pinheiro e Suzianne Machado; a coordenadora do Departamento de Sementes Crioulas, Mudas e Insumos da SAF, Silmara Palhano; o gestor Regional da Agerp de Santa Inês, Jefferson Fernandes; Éder Miranda, representante do deputado estadual, Adelmo Soares; e a coordenadora Regional do ISPN, Ruthiane Pereira, acompanhada de equipe técnica do Instituto.

 

 

Texto: Claudilene Maia